Tudo sobre a política cruelty free da Nocibé e os testes em animais

Nocibé está entre as maiores redes de distribuição de cosméticos na França. A questão de sua posição sobre testes em animais volta regularmente entre as consumidoras que buscam comprar sem apoiar a experimentação animal. O assunto parece simples à primeira vista, uma vez que a regulamentação europeia proíbe esses testes há vários anos. A realidade é mais fragmentada, entre as obrigações do regulamento REACH, os selos privados e as zonas cinzentas relacionadas aos fornecedores internacionais.

O regulamento REACH, ponto cego do cruelty free na Europa

O regulamento cosmético europeu (CE) n° 1223/2009 proíbe os testes em animais para produtos acabados desde 2004 e para a maioria dos ingredientes desde 2009. A comercialização de cosméticos testados em animais é proibida desde 2013. Com base nisso, todo produto vendido na França deve ser considerado como não testado.

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O problema vem do regulamento REACH, que regula o registro e a segurança das substâncias químicas em todas as indústrias. O REACH ainda pode impor testes em animais para certos ingredientes quando também são utilizados em outros setores além da cosmética. Um mesmo componente presente em um cuidado facial e em um produto industrial pode, portanto, ser objeto de testes em animais exigidos pela ECHA, a Agência Europeia de Produtos Químicos.

Essa contradição regulatória diz respeito a todas as marcas europeias, incluindo Nocibé. Uma marca pode respeitar rigorosamente o regulamento cosmético enquanto está sujeita às obrigações do REACH sobre certos de seus ingredientes. Para aprofundar a política cruelty free da Nocibé, é preciso ter esse quadro jurídico em mente.

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Produtos cosméticos certificados cruelty free e vegan com logos de coelho sobre balcão de mármore

Nocibé e as auditorias Leaping Bunny: o que cobre a certificação

Em 2025, Nocibé integrou auditorias de terceiros conduzidas pelo Leaping Bunny para validar sua política cruelty free em todos os seus fornecedores. Essa abordagem vai além dos padrões europeus mínimos, que não preveem uma verificação proativa pelos distribuidores.

O Leaping Bunny, gerido pela Coalition for Consumer Information on Cosmetics, impõe uma auditoria da cadeia de suprimentos, desde as matérias-primas até o produto acabado. A auditoria cobre cada elo da cadeia de produção, não apenas o fabricante final. Essa é uma diferença notável em relação a outros selos que se contentam com uma declaração de honra da marca.

Os dados disponíveis não permitem concluir que a totalidade das referências vendidas nas lojas Nocibé esteja coberta por essa auditoria. Um distribuidor multimarcas oferece centenas de marcas parceiras, e o ritmo de integração das auditorias depende da cooperação de cada fornecedor.

Diferença entre Leaping Bunny e o selo PETA

A PETA gerencia o programa Beauty Without Bunnies, que certifica as marcas com base em um compromisso escrito de não testar em animais. Em 2025, a PETA endureceu seus critérios para levar em conta as contradições relacionadas ao REACH. Os novos requisitos da PETA visam os testes impostos por outras regulamentações além do regulamento cosmético.

As duas certificações não se sobrepõem totalmente. O Leaping Bunny enfatiza a auditoria de campo da cadeia de suprimentos, enquanto a PETA avalia o compromisso global da marca. Uma marca pode ter um sem o outro.

Fornecedores asiáticos e política de importação da Nocibé

Desde 2021, a China flexibilizou suas exigências de testes em animais para cosméticos importados não específicos, como os cuidados comuns. Essa evolução abriu a porta para uma certificação cruelty free mais acessível para as marcas europeias que desejam vender no mercado chinês sem impor testes em animais.

Por outro lado, uma tendência de revisão rigorosa foi observada recentemente, o que complica a clareza para os distribuidores. A Nocibé mantém uma política mais flexível em relação às importações asiáticas do que alguns concorrentes europeus. A Sephora, por exemplo, optou por abandonar certos fornecedores chineses em 2024 para garantir sua reivindicação cruelty free.

Essa escolha da Nocibé gera debates sobre a robustez de seu posicionamento. Uma política flexível pode significar um catálogo mais amplo para o consumidor, mas também um risco aumentado de zonas cinzentas sobre certos ingredientes ou produtos acabados.

Consultora de beleza Nocibé explicando a política cruelty free a uma cliente na loja

Ingredientes de origem animal: cruelty free não significa vegano

Os retornos recentes de consumidoras apontam outro assunto frequentemente confundido com a questão dos testes. Alguns produtos Nocibé contêm ingredientes de origem animal, como lanolina (proveniente da lã de ovelha) ou queratina, sem que isso contradiga uma certificação cruelty free.

Um produto cruelty free garante a ausência de testes em animais, não a ausência de ingredientes de origem animal. Para obter essa dupla garantia, é preciso optar por produtos que tenham um selo vegano como complemento. A Fundação Direito Animal lembra que o direito europeu autoriza o uso dessas substâncias, e que apenas os selos privados permitem distinguir os dois compromissos.

Se você está procurando cosméticos que sejam ao mesmo tempo não testados e sem ingredientes de origem animal, aqui estão os elementos a verificar:

  • A presença de um selo cruelty free (Leaping Bunny, Beauty Without Bunnies da PETA) atestando a ausência de testes em toda a cadeia de suprimentos
  • A presença complementar de um selo vegano (Vegan Society, EVE Vegan) garantindo a ausência de lanolina, carmim, queratina ou qualquer outro derivado animal
  • A lista INCI do produto, única fonte confiável para identificar cada ingrediente, além das menções de marketing na embalagem

A preferência crescente por alternativas totalmente veganas leva várias marcas distribuídas pela Nocibé a reformular seus produtos sem derivados animais. Essa tendência está acelerando, mas ainda é desigual de acordo com as linhas e categorias de cuidados.

O posicionamento da Nocibé sobre o cruelty free baseia-se em um sólido alicerce regulatório europeu, reforçado pela recente integração de auditorias Leaping Bunny. As limitações estão na contradição entre o regulamento cosmético e o REACH, na gestão dos fornecedores asiáticos e na confusão persistente entre cruelty free e vegano. Verificar os selos e ler a lista INCI continua sendo o meio mais confiável para fazer uma escolha informada.

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